Assaltantes aterrorizam o transporte público mexicano


Foto: Reprodução

A sonolência que reinava entre os passageiros da van, após nove horas de trabalho e três horas de transporte, quebrou-se quando um agressor sacou uma arma e gritou: “Senhores, é o seguinte: vocês já sabem. Quero os telefones celulares e carteiras. Rápido!" E, apontando para o motorista, acrescentou: "E relaxa, motorista ou atiro em você". O homem acabara de tirar da calça uma arma semiautomática. Enquanto com uma das mãos recebia submissamente telefones e carteiras de passageiros, com a outra apontava para o motorista. Quando, 30 segundos depois, o agressor abriu a porta e saiu da van com as mãos cheias de objetos, um silêncio espesso flutuou dentro do veículo. Um silêncio derrotado que se repete mais de 30 vezes ao dia.


Pelo que se percebe, assaltos violentos em transportes públicos não são características conhecidas e enfrentadas somente pelos brasileiros. No estado do México, os casos dispararam nos últimos meses. Os ônibus e vans que passam diariamente pela Cidade do México estão cada vez mais equipados com câmeras e tecnologias que ninguém assiste e, praticamente todos os dias, o noticiário do país exibe um vídeo dos assaltos. Estudantes, aposentados, trabalhadores, funcionários públicos, pedreiros viajam com o coração nas mãos nos transportes que unem a Cidade do México aos municípios do Estado do México.


Os motoristas também não são poupados. É o caso de César Antonio Ugalde Avendaño, 45, que conduz um ônibus verde com capacidade para 40 pessoas que faz a rota Valle del Chalco a Candelaria todos os dias. Depois de meia hora de conversa com EL PAÍS na sua 'unidade', a primeira conclusão é que ele se levanta muito cedo, começa a conduzir às 4h30 da manhã, mas os criminosos também acordam cedo. A segunda é como é difícil ser honesto quando você foi assaltado 12 vezes em seus 13 anos como motorista.


“Os passageiros em geral ficam paralisados porque os bandidos entram com uma pistola nas mãos e atiram no chão ou no teto e as pessoas ficam aterrorizadas”, disse o motorista em entrevista ao Jornal EL PAÍS.


O Estado do México é o lugar do país onde o transporte público é mais roubado. Alfredo del Mazo, governador que venceu as eleições com ajuda de donas de casa e com a promessa de conter a insegurança no transporte público, não só não conseguiu, como os casos aumentaram ao longo do ano. Em fevereiro de 2021, foram registradas cerca de 16 reclamações diárias e em dezembro o número quase dobrou, segundo a Secretaria Executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública.


Os números impressionam. Sozinho o Estado do México acumula mais de 50% das agressões em todo o país. No âmbito nacional, o ano terminou com quase 11 mil denúncias de furto em transporte público no país, sendo cerca de 8 mil com violência e 3 mil sem violência. Mas nada se compara ao Estado do México, nem em número nem em violência. Apenas a Cidade do México, capital mexicana, somou mais de 3 mil roubos em transportes públicos no ano passado. Destes, 1.263 foram com violência e 1.863 sem violência.


Com informações de EL PAÍS. Veja a matéria completa

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