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Nouriel Roubini: “Lula tem discurso populista, mas restrições práticas”

Economista tem visão otimista para o Brasil e diz que os EUA subestimam a América Latina, enquanto a China se aproxima da região.


Imagem: TON MOLINA/FOTOARENA


O economista Nouriel Roubini é conhecido como Dr. Doom por suas previsões catastróficas para a economia americana e global — que já se mostraram corretas na bolha “ponto com” e na crise do subprime. Ele continua mapeando riscos e lançou recentemente um livro que lista as 10 maiores ameaças globais. Mas Roubini anda otimista com o Brasil, país que ele conhece bem — e diz adorar.


O fundamento é que Roubini acredita que há um superciclo de commodities em curso que vai durar “pelo menos pela próxima década”. Parece um contrassenso diante da projeção média de economistas (e dele mesmo) de uma recessão à frente em diversos países — a projeção do Citi, por exemplo, é que o Brasil tenha recessão no segundo e terceiro trimestres, e que os Estados Unidos chegue ao final do ano com esse diagnóstico.


“Temos que separar as forças cíclicas das forças seculares. Há certamente uma desaceleração no crescimento econômico, nos Estados Unidos e países desenvolvidos, principalmente a boa notícia é a retomada da China, que será capaz de crescer 5% ou mais neste ano, e ter demanda para uma variedade de commodities, e Índia, que também terá crescimento robusto”, disse Roubini a jornalistas, num evento promovido pelo Citi em Nova York, que reuniu empresários brasileiros.


O Nobel de Economia Nouriel Roubini vê superciclo de commodities se estendendo pela próxima década. Foto: Qilai Shen/Bloomberg


“Há uma correção de preços temporária em algumas commodities, como vimos no petróleo, mas o fundamento do mercado de energia hoje é que há um subinvestimento considerável em combustíveis fosseis, com um crescimento em renováveis ainda insuficiente para compensar isso”, exemplifica.


Não é que Roubini esteja desconectado do contexto político local e dos desafios para atrair investidores estrangeiros ou mesmo animar os locais quando fala sobre as oportunidades nacionais. “Lula 4 - considerando Lula 1, 2 e Dilma — tem um discurso que soa muito mais Dilma do que Lula 2. Mas a direção será construída por vários fatores, como um Congresso que ele não controla e não aprova legislação radical em política econômica”, diz ele.


Outro ponto é que o mercado privado continua ativo e vigilante. Reduzir privatizações é aceitável, mas revertê-las, não. Goste ou não, qualquer país (ou quase todos) está sujeito à disciplina do mercado, pois seus spreads aumentam, sua moeda se desvaloriza, os investidores vão embora”, afirmou Roubini, que sentou no almoço numa mesa composta, entre outros, por Wilson Ferreira Jr, presidente da Eletrobras.


"O terceiro ponto é que acho que Lula quer ser bem-sucedido. Entre a retórica que soa muito populista e o que ele pode fazer na prática, inclusive com um BC independente, são limites a favor do Brasil.”


Aos convidados, Roubini também falou sobre os riscos geopolíticos e como o Brasil se posiciona. Para o economista, os Estados Unidos subestimam a América Latina, considerando que ninguém vai mexer no seu quintal. “A China é ativa no engajamento com a região, o que é positivo para o Brasil, porque essa aproximação não é só em commodities. Os Estados Unidos vão se dar conta que precisam de uma política proativa comercial, de investimentos, de financiamento de operações ligadas ao clima ao invés de só apontar o dedo.”


Roubini cita o fato de Dilma Rousseff ser a presidente do banco dos BRICs e como isso eventualmente pode resultar num agrado ao parceiro chinês com o Brasil fazendo algumas operações em yuan. “Há uma grande discussão sobre a soberania do dólar e se ela poderia estar amaçada pelo yuan. Mas a moeda chinesa está sujeita a controle de capital, não tem liquidez como o dólar e não é conversível. Pode haver algum volume nesse sentido, mas também muita cautela”, considera.


O economista diz que o Brasil não deve ficar sujeito a sanções americanas ao se aproximar cada vez mais da China, devido ao tipo de relação comercial. “As restrições machucam mais exportadores de tecnologia, como fabricantes de semicondutores no Japão, Taiwan e Coreia, mas para quem produz soja e outras coisas, não é considerado uma questão geopolítica relevante. Ninguém vai proibir o Brasil de vender para China”, diz.


Informações de Pipeline.



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