A verdadeira história da Dona Clotilde, a "Bruxa do '71"


Foto: Reprodução

Seu nome era María de los Ángeles Fernández Abad (Madrid, 30 de julho de 1924 – Cidade do México, 25 de março de 1994), conhecida como Angelines Fernández, mas seu nome perpétuo, aquele que a memória recupera quando uma foto dela aparece, é outro: A Bruxa do 71.


No imortalizado seriado Chaves, programa de comédia da televisão mexicana dos anos setenta criado por Roberto Gómez Bolaños, María de Los Ángeles foi a Dona Clotilde, mas o apelido de Brucha do 71 foi dado por uma suposta paranormalidade com sessões de espiritismo e rituais que alimentavam a imaginação e o medo das crianças da vila (Quico, Chiquinha e Chaves). Além disso, a dona Clotilde mora no apartamento número 71.


Dona Clotilde era apaixonada por Seu Madruga e arrumava qualquer desculpa para abraça-lo. A cena de amor não correspondido era uma piada esperada pelo público e se repetia em cada capítulo. Ele estava sempre em apuros e ela estava sempre disposta a ajudá-lo.


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Dona Clotilde, a solteirona - Atrelado ao humor da época, rir da bruxa do 71 era rir da velha solteirona, da feia e da idade das mulheres, por isso Dona Clotilde repetia que não era uma bruxa nem uma velha, “ Eu sou uma dama”. Também dizia que não se casou porque não quis e não por falta de pretendentes, e que tinha pouco mais de quarenta anos.


A Bruxa do 71 usava um vestido azul cerulean, sapatos pretos e um chapéu de festa que revelava seu cabelo branco preso em um coque que ela ajustava com as mãos enquanto movia os olhos, fazia caretas e suspirava ao ver o seu Madruga como se visse um príncipe encantado.


De acordo com o jornal argentino Página 12, antes do sucesso televisivo Angelines e Ramón Valdés (Seu Madruga) trabalharam juntos no cinema; a primeira vez foi em 1968 em Corona de Lágrimas, filme de Alejandro Galindo. Segundo dizem, foi Valdés quem a levou ao programa de Bolaños.


Uma amizade e um amor - (ela o amava e ele não, segundo a imprensa mexicana) que guardam seus segredos nos Mausoléus de Ángel, o cemitério da Cidade do México onde os dois estão enterrados. Corre a boca grande que depois de chorar por horas ao lado do caixão dele, ela pediu que seu túmulo ficasse perto do dele.


Angelines era uma jovem revolucionária - Antes de se tornar o pesadelo das crianças do seriado Chaves, a atriz Angelines Fernández já habitava os sonhos ruins dos fascistas espanhóis. Durante a sua juventude, a intérprete da dona Clotilde fez parte de guerrilhas armadas que lutaram contra o ditador Francisco Franco (1892-1975) no país.


A artista tinha apenas 14 anos quando o general tomou o poder com o início da Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Ela era descrita como uma jovem idealista e indignada com a pobreza que assolava o país, razões que a levariam a se juntar aos republicanos que formariam posteriormente a chamada Resistência Espanhola.


Aos 25 anos, porém, a artista caiu em desgraça ao ter sua atividade política clandestina ser descoberta.

"Por atuar nas guerrilhas espanholas, minha mãe foi tachada como antifranquista. Ela precisava sair da sua terra natal, visto que sua vida ficaria cada vez mais difícil", contou sua filha, Paloma Fernández, em entrevista a um jornal mexicano em 1999.


Com a cabeça a prêmio, ela fugiu rumo a Cuba para não ser mais uma entre o meio milhão de espanhóis que morreram após o golpe de Franco.


Em meados da década de 1940 e início da década de 1950, a jovem revolucionária deixou a Europa para sempre (ela obteve a nacionalidade mexicana) e passou a atuar em novelas, dramas de rádio e, pouco tempo depois, no cinema.


Ángeles gostava de fumar e assistir televisão até adormecer; Algumas fotos a mostram muito jovem com um cigarro entre os dedos. Ela morreu em 25 de março de 1994 no México devido a câncer de pulmão. Nascera em 1924 (ou em 1922, segundo alguns cronistas) em uma Madri prestes a encarar uma ditatura cruel.


Fonte: Pagina 12 e Cabeça Livre


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